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sábado, 19 de agosto de 2017

PARTICIPAÇÃO DAS CRIANÇAS NA LUTA PELA INDEPENDÊNCIA DE TIMOR-LESTE



Parabéns aos bravos da FALINTIL e a todas as crianças que contribuíram para proteger a vida da FALINTIL

Aquelina Pereira * | Díli

Em 20 de agosto, é a comemoração do dia da FALINTIL (42 anos), este breve artigo reflete a participação ativa das crianças na luta pela independência de Timor-Leste. O envolvimento das crianças na frente de resistência teve um enorme contributo que não devemos esquecer como pessoas e nação. Portanto, neste dia histórico, felicitamos a FALINTIL e recomendamos aos timorenses que ajam como um todo e saúdem também os combatentes-crianças.

A partir de 1975, um número incontável de timorenses visava a independência, onde praticamente todos, desde crianças até adultos, se levantam contra a invasão do exército indonésio. Durante a ocupação, o povo timorense viveu totalmente na escuridão. De uma pequena porção de timorenses que foram educados, alguns foram infelizmente utilizados pelos invasores para dividir as pessoas e governar. No entanto, através da convergência política, os nacionalistas timorenses unificaram suas forças para resistir à invasão.

Pessoalmente, gostaria de compartilhar uma história sobre o envolvimento das crianças durante a nossa longa luta pela independência. Em um momento tão difícil, muitas crianças proporcionaram contribuição crucial e até mesmo ofereceram as suas próprias vidas pela liberdade do país. Inúmeras crianças foram mortas no mato ou em áreas urbanas, ao mesmo tempo que contribuíam com tarefas críticas em apoio de FALINTIL. Muitos deles também desapareceram e, até agora, o paradeiro é desconcertantemente desconhecido. A extensão da prática dessas obras aconteceu com séria dificuldade, pois exigiam bravura, sofrimento e morte. Quando ouvimos falar de destinos infelizes de nossos amigos que acabaram nas mãos de nossos inimigos e foram brutalmente torturados e mortos, ficamos muito aterrorizados. No entanto, isso não diminuiu a nossa coragem e vontade de continuar o nosso serviço como parte integrante da resistência timorense contra a ocupação ilegal de Timor-Leste pela Indonésia.

Muitas crianças timorenses trabalharam com as FALINTIL, bem como com a rede clandestina. Essas crianças desempenharam papéis fundamentais, particularmente servindo como ouvidos e olhos da rede FALINTIL, indo clandestinamente observar de perto todo o movimento do exército indonésio e seus colaboradores. Nas áreas rurais, as crianças assumiram os papéis como mensageiros que eram vitais em termos de ponte sobre o movimento clandestino e a FALINTIL. Por exemplo, muitas crianças e eu estávamos em contato direto com a FALINTIL como mensageiros, especialmente no fornecimento de informações importantes, bem como materiais para a FALINTIL. Nos momentos difíceis, quando o exército indonésio teve uma supervisão cuidadosa de atividades suspeitas de jovens e adultos, as crianças eram a alternativa viável para realizar ou transmitir qualquer mensagem da hierarquia da FALINTIL. Até certo ponto, este processo contribuiu significativamente para o nosso desenvolvimento como nacionalistas e revolucionários. Além disso, não só substituímos os papéis dos adultos, como muitos de nós também conseguimos organizar outros timorenses para se envolverem no movimento de resistência. Isso foi feito através da criação de vários grupos que se tornaram um coração de circulação de informações chave para a FALINTIL, frente clandestina e diplomática.

Como membro da OSF (Organisasão da Sagrada Família) - um núcleo de reserva da FALINTIL, embora em uma idade muito jovem, eu estava com um comandante FALINTIL, Eli Foho Rai Boot, conhecido como L-7 - que é o pai fundador de OSF. Nós principalmente realizámos o trabalho da organização nas áreas urbanas, o que foi extremamente difícil, já que a maioria das atividades foi observada de perto pelo exército indonésio e seu colaboradores. Apesar de tantas dificuldades, conseguimos mobilizar as nossas companheiras, jovens e velhas para participar ativamente na luta pela independência.

Em muitos casos, muitas garotas se ofereceram ao inimigo num esforço para desviar a sua atenção, para salvar a vida dos FALINTIL que estavam em perigo. Tal é um fato que dificilmente pode ser acreditado por muitas pessoas de hoje. Muitas meninas se sacrificaram em conformidade com a ordem dos comandantes da FALINTIL, que diziam: "você deve cuidar de nós, de outra forma, nossa morte significaria que você será abandonado quando nossa independência for criada". Há muitos outros fatos que não mencionei neste breve artigo. No entanto, dezenas de incidentes são abordados no relatório da CAVR - "Chega"! Sugiro que todos, incluindo políticos atuais, se dirijam ao referido relatório. Além disso, os eventos também podem ser confirmados com várias vítimas que sofreram consideráveis ​​consequências na luta pela independência.

Essas crianças são todas crescidas agora e muitos se tornaram pais de muitas crianças. Infelizmente, os seus sacrifícios passados ​​não são reconhecidos e nem mesmo uma breve menção é feita em qualquer evento histórico do país. Hoje, muitos de nós vivemos em miséria devido ao nosso conhecimento limitado e também devido ao atual sistema discriminatório que nos marginalizou mesmo que possamos possuir a mesma habilidade que qualquer um. É justo se também afirmamos que temos nossos direitos? O estado que defendemos persistentemente e contribuímos para a sua formação pode dar justiça às nossas vidas como seres humanos? Durante a luta, muitas das nossas famílias viveram em graves ameaças; Eles foram negados de qualquer possibilidade de desenvolvimento económico que os ajudaria a desenvolver um futuro melhor. As bolsas atuais são muitas vezes submetidas a critérios rigorosos sem se considerar qualquer condição especial. Em nossa desvantagem, obviamente, é uma tentativa contínua de nos manter atrasados. Além disso, a prevalente presença de corrupção nas bolsas de estudo geralmente promove apenas famílias e amigos da liderança. Nossos direitos são continuamente negados, semelhantes aos nossos avós durante o período do colonialismo. Exigimos um tratamento justo. Isso é porque queremos contribuir continuamente para a libertação do nosso povo, especialmente para promover a justiça de forma socioeconómica e cultural.

Com este artigo inestimável, apelamos aos líderes deste país que não nos negem como crianças anteriores que contribuíram significativamente durante o período de ocupação indonésia de 24 anos. Precisamos ser considerados combatentes do nosso país. Durante a luta, nossos guardiães eram os comandantes da FALINTIL que estavam na linha de frente durante a resistência. Infelizmente, na era pós-independência, perdemos esses guardiães. Os protocolos de segurança mais o acesso estrito à sua residência dificultaram o contato com eles. Lamentavelmente, muitos deles cooperam mesmo com os oportunistas para nos impedir de acessar a qualquer oportunidade. No entanto, vale a pena mencionar que alguns deles ainda estão dispostos a defender os direitos e o interesse das pessoas comuns.

Durante a nossa longa luta, não foram apenas os adultos que sofreram e morreram por este país; Não só os educados, mas também os pobres agricultores e pastores que, desinteressadamente, fizeram uma enorme contribuição em termos de apoio à FALINTIL e ao movimento clandestino. O estado deve homenagear a nossa contribuição e os combatentes infantis também devem ser convidados particularmente em eventos históricos do país. Isso reconhecerá a nossa dedicação, sacrifício e também fortalecer a nossa coragem para incutir valores tão importantes para a geração jovem.

Embora este artigo possa conter reclamações extensas, o principal objetivo é encorajar os combatentes que eram crianças a continuar o desenvolvimento de Timor-Leste como um trabalho compartilhado porque este país nasceu da nossa persistente luta, sofrimento e mortes. Não devemos deixar este país ser governado apenas pelos políticos de elite, mas sim por todos nós, incluindo a nova geração. Precisamos de lutar pela justiça social e económica para todos os cidadãos.

Nós libertámos o país! Deixem-nos libertar as pessoas.

A luta continua!

* Aquelina Imaculada Pereira, ho naran rezisténsia "Peregrina"

*Em colaboração com
Celestino Gusmão
Prof. Antero Benedito da Silva

- Tradução para português por Timor Agora




ASTANA VERSUS HAMBURGO



Martinho Júnior | Luanda

No momento em que em Astana uma emergência progressista com uma geoestratégia que busca equilíbrio para o século XXI ganha expressão e impulso, Hamburgo expõe-se como uma decrepitude bárbara, vassala e feudal que já a ninguém consegue iludir, ao esconder-se no rótulo estafado de auto proclamada “civilização judaico-cristã ocidental” 

1- Pode ainda não significar que à barbárie exposta no “Grupo dos 20” a humanidade conseguiu encontrar um paradigma justo e sustentável de civilização ajustado à “Organização da Conferência de Xangai”, como é óbvio e se tivermos em conta quanto a revolução industrial e a nova revolução tecnológica, tocadas pelas contradições infindáveis do capitalismo, têm sido desequilíbrio e desrespeito para com a humanidade e para com o planeta…

Pode ainda não significar que a humanidade deixou de dar prioridade a políticas de armamento, ao invés de garantir paz, equilíbrio, alimentação, educação, saúde e lar para todos os humanos, garantindo simultaneamente respeito para com sua própria e tão mal cuidada “casa comum”…

Pode ainda não acontecer que a civilização seja efectivamente sustentável, como acontece quando se esgotam em 7 meses os recursos que, arrancados à Terra, se deveriam esgotar num ano!...

Todavia em Astana vislumbra-se uma luz ao fundo do túnel, enquanto em Hamburgo as chamas do inferno estiveram presentes nas ruas como nos salões de contingência.

2- Em Astana gigantes que são potências nucleares emergentes e têm diferendos que se arrastam, como a Índia e o Paquistão, procuram formas de integração num universo multipolar empenhando-se em processos modernos capazes de buscar um patamar saudável de relacionamentos no interesse comum, cultivando as potencialidades duma exponencial “rota da seda”, ou uma nova fórmula de “ganha-ganha” conforme à expressão descomplexada do presidente chinês, Xi Jimping.

Em Hamburgo, num “G-20” preso à hegemonia unipolar, as contradições foram explícitas em relação ao clima (com a renúncia ao Acordo de Paris por parte da administração republicana de Donald Trump, recém inaugurada), como até à extensão da presença militar sob a bandeira dos Estados Unidos e da NATO em três mares (Báltico, Mediterrâneo e Mar Negro), por causa do gaz que a aristocracia financeira mundial procura vender aos vassalos da Europa por preços superiores aos praticados pela vizinha Rússia!

A projecção duma emergência euro-asiática a caminho do fomento de relacionamentos muito mais saudáveis entre os estados, as nações e os povos, esteve neste ano de 2017, face a face com a barbárie institucionalizada a coberto da “civilização judaico-cristã ocidental”… e as obras, como as práticas respondem e afirmam o carácter de ambas as iniociativas!

3- A China, a Rússia e a Índia, presentes em Astana como em Hamburgo, tiveram o privilégio e a oportunidade de ver a direcção dos seus respectivos estados ser os únicos a poder melhor balancear as opções ao nível das principais potências económicas globais numa via de inclusão, enquanto os componentes da “civilização judaico-cristã ocidental” (ao nível da presença no “G-20”) continuam-se a excluir, ao manterem os cânones de domínio quanto de vassalagem, nos enredos de corrente fluência até nos relacionamentos “in”.

É evidente que o conteúdo das duas mensagens, uma com raiz em Astana, a outra com raiz em Hamburgo, não passaram despercebidas aos observadores mais atentos, onde quer que eles estejam e, para África e América Latina, houve também a possibilidade de melhor entender, de balancear e de discorrer sobre as opções a tomar.

4- Para Angola, ávida de paz e em época eleitoral, não podem passar despercebidas Astana quanto Hamburgo, nem a contradição entre ambas (o que é da emergência multipolar com geoestratégia virada a ocidente, destino da “tota da seda” e o que é da hegemonia unipolar minada por contradições intestinas sob a ponta dos fusis) por que o balanço é muito importante para se optar e decidir no presente quanto no futuro: a longa luta contra o subdesenvolvimento, apesar das nuvens tenebrosas do capitalismo neoliberal e o cortejo de choque e terapia, decorre neste século XXI na tentativa do país poder ser resgatado de trevas e sequelas de barbárie que se arrastam do passado, mas estando no presente, há que saber evitar o muito que se há a evitar e enquadrar o “ganha-ganha” capaz de conferir outra dimensão civilizacional.

Entre as contradições seculares (práticas de conspiração), que conduzem ao saque e as obras estruturais em função das matérias-primas, qual a melhor opção a tomar?...

Também para Angola o balanço é entre barbárie e civilização, aprendendo com as contradições resultantes da experiência histórica e antropológica, em especial com a contradição a Savimbi, promovido a “freedom fighter” pelo neoliberalismo que a administração de Ronald Reagan estreou nos Estados Unidos…

Para Angola, Savimbi enquanto “freedom fighter” foi a “somalizadora” entidade que concentrou a mais bárbara das expressões e tão mau uso fez do conhecimento sobre o relacionamentos dos factores físico-geográfico-ambientais, com os factores de ordem humana no seu próprio país, tanto quanto nos vizinhos (ao nível de toda a região).

Aquilo que Savimbi não realizou em 1992 em função da sua decisão de partir para a “guerra dos diamantes de sangue”, sabemo-lo hoje que Samakuva e Chivukuvuku vão tentar realizar finalmente em função do voto, todavia, nem mesmo assim eles deixaram de representar as opções de risco na direcção do saque!

À barbárie pertencem as tensões, os conflitos e as guerras, à civilização está aberta a longa trilha da lógica com sentido de vida alimentada com uma possível geoestratégia de desenvolvimento sustentável e um inevitável combate à corrupção!

Aqueles que fomentam a corrupção e os ambientes sócio-políticos em que se movem Chivukuvuku, Samakuva e os aficionados de Gene Sharp, são as duas faces da mesma moeda, utilizada pelos grandes mestres da ingerência e da manipulação: o engenho e a arte dos procedimentos contraditórios, típicos do domínio da aristocracia financeira mundial!

Fotos e figuras:
- Símbolo da Organização de Cooperação de Xangai;
- O “G-8” de Astana representa o peso Euroasiático na conjuntura global, mais uma “complicação” no “inferno de Hamburgo”;
- Ângela Merkel no “G-20”, entre o “cacete” de Trump e a “cenoura” de Putin: “quo vadis” desamparada Merkel?;

Relações EUA-Rússia destinadas a uma viragem incrível



M K Bhadrakumar

A crise ucraniana – e as relações russo-americanas – atingem um ponto de inflexão com a avaliação feita pelo International Institute of Strategic Studies (IISS), em Londres, de que o salto dramático da Coreia do Norte em capacidade de mísseis balísticos é atribuível à sua aquisição clandestina de uma tecnologia da era soviética que está disponível numa fábrica próxima da linha fronteiriça da zona de guerra do Donbass, perto da região separatista mantida por apoiantes da Rússia. O IISS assinala que o míssil Hwasong-14 da Coreia do Norte, testado pela primeira vez, duas vezes, no mês passado significa um salto incrível em tecnologia que é simplesmente inconcebível para o engenho humano – isto é, a menos que Pyongyang tivesse acesso a tecnologia estrangeira de uma potência estabelecida nos mísseis.

Entretanto, o relatório do IISS diz:
O motor testado pela Coreia do Norte não se parece fisicamente a qualquer LPE (Liquid Propellent Engine) fabricado pelos EUA, França, China, Japão, Índia ou Irão. Nem tão pouco qualquer destes países produz um motor que utilize propelentes armazenáveis e gerem o empuxo proporcionado pelo Hwasong 12 e 14 LPE. Isto deixa a antiga União Soviética como fonte mais provável.

Poderia ter havido transferências clandestinas dos motores a partir ou da Rússia ou da Ucrânia com o conhecimento das autoridades locais – ou mais provavelmente poderia ter havido contrabando clandestino pela máfia das fábricas que são mal guardadas. A máfia é activa tanto na Rússia como na Ucrânia. O IISS inclina-se a apontar o dedo à fábrica na Ucrânia (conhecida como Yuzhnoye, a qual tem instalações em Dnipropetrovsk e Pavlograd) e tem estado nas ruas da amargura desde 2006, quando a Rússia deixou de comprar a esta parte da cadeia de fornecimento da era soviética e assim a fábrica, outrora louvada, cerca de 2015 chegou à beira do colapso financeiro. Citando o IISS: 

O número total de motores RD-250 (para foguetes) fabricados na Rússia e na Ucrânia é desconhecido. Entretanto, quase certamente há centenas, se não mais, de peças sobressalentes armazenadas nas instalações da KB Yuzhhoye e em armazéns na Rússia. Uma pequena equipe de empregados insatisfeitos ou guardas mal pagos em qualquer dos sítios de armazenagem... podia ser atraído para roubar umas poucas dúzias de motores para um dos muitos traficantes de armas ilícitas, redes criminosas ou contrabandistas internacionais a operarem na antiga União Soviética. Os motores (com menos de dois metros de altura e um metro de largura) podem ser transportados de avião ou, mais provavelmente, de comboio através da Rússia até a Coreia do Norte. Pyongyang tem muitas conexões na Rússia... Sabe-se que agentes norte-coreanos à procura de tecnologia míssil também operam na Ucrânia... Hoje, as instalações (ucranianas) de Yuzhonoye estão próximas das linhas de fronteira do território secessionista sob controle russo. Claramente, não há escassez de rotas potenciais através das quais a Coreia do Norte pode ter adquirido as poucas dúzias de motores RD-250 que seriam necessárias para um programa ICBM.

Terrorismo | SE QUEREM FAZER JUSTIÇA FAÇAM-NO SOBRE OS VERDADEIROS RESPONSÁVEIS



O terrorismo tem mil caras além do Daesh e do ocidente

Mário Motta, Lisboa

As ações terroristas destes últimos dois dias na Europa causaram pelo menos 16 mortos e cerca de 140 feridos. 14 em Barcelona e 2 em Turku, na Finlândia faleceram. Teme-se que dos feridos ainda alguns possam falecer devido aos seus estados críticos. Dos mortos em Barcelona há duas mulheres portuguesas a registar. Eram familiares que passeavam em La Rambla e tinham acabado de chegar para uma estadia turística. Avó e neta, com 74 e 20 anos, respetivamente.

Estes ataques terroristas de desvairados radicais já atingiram fisicamente imensos elementos dos povos europeus e psicologicamente afetaram muitos milhares deles. O autor é o Isis ou Daesh, que reivindica as ações cobardes como se fossem verdadeiras vitórias contra “os infiéis”. Um asco de mentalidades criminosas a coberto de uma espécie de bíblia sebenta e deturpada que nada tem que ver com o corão (de acordo com os entendidos) nem convicções de religiosidades. O que se vê é um ódio exacerbado e injustificado contra gente de povos que só querem viver em paz e à sua maneira. São gentes inocentes longe das responsabilidades dos que decidem fazer do Médio Oriente um campo de guerra, de morticínio de também inocentes que perecem sobre o pretexto e alegações de altos responsáveis ocidentais, civis e militares, políticos e da alta finança que classificam as mortandades naquele campo de guerra sem quartel de “danos colaterais” e não de terrorismo puro e duro sob formas sofisticadas nos armamentos usados.

Perante tais comprovadas responsabilidades dos ocidentais que decidem as matanças no Médio Oriente o Isis, o Daesh (que faz o mesmo), toma por inimigos gentes de povos pacíficos e abate-os, estropia-os, aterroriza-os, em vez de procurar atingir os verdadeiros inimigos, os altos responsáveis ocidentais que pululam nos EUA, no Reino Unido, na Alemanha ou em França, por exemplo. Principais potências que no Médio Oriente causam ocupações, guerras, mortandades. Existem esses altos responsáveis, bem guardados, protegidos por exércitos, protegidos pela alta-finança a quem servem, e são esses os inimigos dos povos do Médio Oriente e de outras zonas do mundo.

São exatamente esses, um por um, que devem ser afrontados pelas suas decisões e responsabilidades nos atos criminosos contra as populações e interesses de propriedade dos países do Médio Oriente. São esses, e só esses, que devem ser julgados pelas leis dos países e povos que afetam. Não um qualquer cidadão europeu ou de outras regiões do mundo, incluindo os EUA, que em nada tem responsabilidades sobre o que políticos, alta finança e generais decidem criminosamente contra os povos, as soberanias legítimas e os interesses capitais de petróleo e outros bens do subsolo ou geoestratégicos.

Disse o rei de Espanha que “não temos medo, não teremos medo” (do terrorismo). Muitos outros altos responsáveis o dizem. Pois claro que não têm medo porque sabem que estão bem protegidos e que são os povos que lhes pagam a proteção (chupistas). Depois os povos vão atrás desses ditos pseudo-corajosos e também dizem “não temos medo”… Claro que têm medo, pelos familiares, pelos filhos, por eles próprios. Temem ser vítimas de algum ataque terrorista, ainda mais sabendo-se inocentes e que um qualquer fanático o pode indiscriminadamente liquidar.

Era importante que essas elites que compõem o terrorismo decidissem fazer justiça contra os que devem fazer e não indiscriminadamente, cobardemente, contra gentes dos povos ocidentais ou outros que vivem do seu trabalho, que também eles são explorados e tantas vezes oprimidos, que só querem viver em paz, de acordo com as suas culturas e beneficiarem – quando podem – de alguns momentos de lazer.

É caso para dizer que se querem fazer justiça, mesmo justiça, façam-no sobre os verdadeiros responsáveis. Visando esses e só esses. E isso deve servir para todo o tipo de terrorismo - que tem mil caras, para além do do Daesh e do ocidente. Poupem-se, justamente, os povos inocentes. Vivam e deixem viver.

TERRORISMO | Confirmada morte de segunda portuguesa em ataque de Barcelona



Vítima tinha 20 anos de idade

A jovem portuguesa que chegou a ser dada como desaparecida está entre as vítimas mortais do ataque perpetrado em Barcelona, na passada quinta-feira.

O primeiro-ministro António Costa admitiu, à margem de declarações sobre o trabalho da Proteção Civil que "já está confirmada" a morte da segunda vítima portuguesa, confirmação essa que terá sido dada pelo secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro.

Entre as vítimas mortais estava já uma portuguesa, de 74 anos, residente em Lisboa. Esta cidadã estaria na Catalunha como turista na companhia da neta, a jovem portuguesa que foi agora confirmada como uma das vítimas mortais.

Até ao momento há 14 mortos confirmados e mais de 130 feridos, incluindo 17 pessoas em estado considerado grave. Ao todo há 35 nacionalidades diferentes entre as vítimas diretas do ataque.

Após o atropelamento de várias pessoas nas Ramblas, em Barcelona, também na marginal de Cambrils houve um ataque semelhante, que terminou com os suspeitos a serem abatidos após tiroteio com a polícia.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Finalmente | NOVO GOVERNO TIMORENSE TOMA POSSE PARA A SEMANA



Após quase um mês de se conhecer os resultados oficiais das eleições legislativas timorenses – em que a Fretilin foi a mais votada - parece que os partidos políticos chegaram ao consenso de se comprometerem a formar uma coligação governamental ou a aprovarem o governo no parlamento em conformidade com o programa negociado.

Sabe-se que a Fretilin conseguiu a integração no governo do partido liderado por Taur Matan Ruak, o PLP, e que logo após ter sido apurada a vitória do partido de Alkatiri o Khunto anunciou o seu apoio à formação de governo em coligação. Assim, entre os três partidos estará assegurada a maioria de deputados no parlamento. Fretilin 23, PLP 8, Khunto 5. Num total de 65 parlamentares a Assembleia Nacional conta com a maioria dos partidos coligados, 36 deputados.

Apesar destas contas da comprovada maioria da coligação foi ponto de honra dos responsáveis da Fretilin contar com o apoio de todos os partidos, numa espécie de governo de consenso nacional. Com esse objetivo Mari Alkatiri tem vindo a insistir no modelo. Aparentemente foi o que conseguiu.

O partido de Xanana Gusmão tem sido o mais renitente em aceitar a derrota e a vitória escassa da Fretilin, pautando-se por criar dificuldades com dissimuladas discordâncias relativas ao modelo governativo. Perante os resultados afirmou-se logo da oposição, notório fruto do ressabiamento e choque por ter sido preterido para segundo plano pelos eleitores, que ao contrário de anteriormente deram a vantagem eleitoral à Fretilin por mais mil votos e mais um deputado, para além de também terem preferido o PLP e o Khunto. A perder saíram os partidos que mais têm governado Timor-Leste, o CNRT e o PD (Partido Democrático).

Será no decorrer da semana que vem que decerto haverá governo em Timor-Leste por via da escolha do eleitorado timorense. Entretanto o CNRT de Xanana Gusmão engoliu um pouco do seu orgulho ferido e declara que apesar de ser oposição poderá apoiar o governo de coligação… O que é muito pouco no dito se considerarmos que Xanana Gusmão é useiro e vezeiro na particularidade de criar crises, instabilidades e duradouras manipulações para tirar vantagens que lhe possibilitem continuar no pódio da governação – como tem acontecido ao longo dos anos de independência de Timor-Leste.

Atualmente importa acreditar que tudo vai acontecer positivamente e em prol dos reais interesses dos timorenses, em prol da estabilidade que o país tem tido, principalmente neste últimos anos. Assim aconteça.

A seguir, se continuar a ler, ficará a saber o que diz o CNRT de Xanana ao governo de coligação. Também o PD tem a sua palavra empenhada em afirmar que “vai ajudar a viabilizar o próximo Governo”. Sejamos otimistas e esperemos que os interesses pessoais e partidários de uns quantos não se sobreponham aos interesses em falta, prementes e efetivos dos timorenses, principalmente dos mais carenciados, dos que deixaram de acreditar em tudo que promete Xanana Gusmão. A penalização infligida ao CNRT também assim o demonstrou.

MM = AV | Página Global

MOÇAMBIQUE | O povo precisa de um Governo mais humano



@Verdade | Editorial

A seriedade de um pais vê-se em pequenas coisas, sobretudo na capacidade do Governo dar respostas aos problemas pontuais da sua população, tais como o acesso à saúde, educação, entre outros serviços básicos. Mas o que se assiste no nosso país é uma situação verdadeiramente clamorosa e preocupante. Não se justifica que, em 42 anos de independência nacional, os moçambicanos continuem a viver como indigentes e morrerem por falta de assistência médica e medicamentosa.

Aproximadamente 50 porcento da população moçambicana continua a consumir água imprópria e a situação é mais crítica nas zonas rurais. A população tem recorrido aos rios e riachos para beber, apesar de a construção de uma fonte de água não ultrapassar um milhão de meticais. Aliado a isso, está o problema relacionado com a falta de saneamento do meio. Todos os anos, centenas de moçambicanos morrem por causa de doenças hídricas, situação essa que se pode evitar, mas o Governo prefere investir em viaturas para este e aquele ministro ou deputado.

Diante essa dura realidade, o Governo pouco ou quase nada faz para reverter essa preocupante situação que coloca o país num dos piores países para se viver. Pelo contrário, continua hipotecar o futuro do povo, colocando- o numa situação de indigência.

Como se isso não bastasse, Moçambique é também um dos piores países para as pessoas de terceira idade viverem. É vergonhoso para um país que se diz sério, quando situações dessa natureza acontecem. Esses factos revelam claramente que, nos últimos 42 anos, o Governo da Frelimo não se preocupou em dar dignidade a vida dos moçambicanos. Têm sido 42 anos de pseudo-políticas que empurram o país para um situação insustentável, através de endividamentos ocultos e as suas actividades sem impacto visível na vida dos moçambicanos. Não obstante o país dispor de inúmeros recursos naturais, a condição de vida dos moçambicanos tende a deteriorar-se a cada dia que passa, devido ao Governo da Frelimo que se tem mostrado incompetente, apático e insensível relativamente ao sofrimento de milhões de moçambicanos.

Um dos revoltantes e bizarros exemplos da falta de compaixão e respeito para com o povo é a realidade que se vive no distrito de Moma, na província de Nampula. Nessa parcela do país, o hospital rural não possui meios circulantes, com destaque de ambulância para a transferência de pacientes, e, como consequência disso, pelo menos uma pessoa já perdeu a vida.

Não se pode esperar o desenvolvimento do país e melhoria na qualidade de vida quando, todos os dias, moçambicanos morrem por falta de serviços básicos que o Governo tem a obrigação de prover.

Votar perto de casa não é para todos em Angola



Alguns eleitores na Huíla não poderão votar perto de casa. Fizeram o registo eleitoral na província no sul de Angola, mas muitos foram colocados em assembleias de voto a milhares de quilómetros. CNE confirma reclamações.

Rosa Filipe atualizou o registo eleitoral na província da Huíla e, por isso, estava à espera de ir votar numa assembleia próxima da sua residência. Mas ficou preocupada quando percebeu que viu que a 23 de agosto terá de ir votar à província do Uíge, no interior-norte, e não tem condições para ir até lá.

"É difícil. Para além de ser muito distante, estou a passar por dificuldades financeiras. Então, não vai dar para lá ir", lamenta a eleitora.

Além de Rosa Filipe, estima-se que, pelo menos, 50 eleitores na província da Huíla tenham sido colocados em assembleias afastadas das suas casas.

Francisco António também fez o registo eleitoral na cidade do Lubango, na Huíla, mas ficou surpreendido quando o seu nome apareceu numa assembleia na província de Cabinda, a cerca de dois mil quilómetros de distância.

Francisco António, que não vai votar por não ter dinheiro para ir até Cabinda, sublinha que o seu direito ao voto está a ser violado. "É um dever do cidadão votar, mas também é um dever do Estado proporcionar condições para que o cidadão vote [próximo de] onde vive. Sinto-me mal, porque, neste caso, nem cidadão sou", afirma.

Reclamações na CNE

Têm chegado à Comissão Nacional Eleitoral (CNE) várias reclamações de eleitores que "viram a sua pretensão de votar numa determinada localidade não concretizada na Huíla", confirma o porta-voz Longa Paquete.

"Preocupa-nos saber que há eleitores que, por algum motivo que temos depois de estudar internamente,  terão sido deslocados de determinadas localidades  para onde deviam exercer o seu direito de voto para outras", afirma o porta-voz. Ainda assim, a Comissão Eleitoral diz não será possível resolver o problema antes das eleições da próxima quarta-feira.

Na semana passada, depois de dúvidas levantadas pela oposição sobre uma alegada transferência de eleitores para mesas de voto distantes da área de registo, a CNE informou que a indicação do ponto de referência dado pelos eleitores no ato de registo eleitoral não determinava a sua assembleia de voto.

A CNE constituiu 12.512 assembleias de voto, que incluem 25.873 mesas de voto por todo o país, com o escrutínio centralizado nas capitais de província e em Luanda.

Lusa | Deutsche Welle

ANGOLA | As eleições e os partidos políticos



Na próxima semana, os angolanos vão uma vez mais às urnas para elegerem os governantes que hão-de exercer o poder até 2022.

Jornal de Angola | opinião


Faltam poucos dias para o pleito eleitoral, um acontecimento que tem a particularidade de o partido no poder, o MPLA, apresentar um novo candidato a Presidente da República, João Lourenço, um experimentado quadro da formação política que governa o nosso país desde a nossa a Independência, e que soube, com sabedoria e coragem, contornar inúmeros obstáculos para preservar a unidade e a soberania nacional, um feito que entrou definitivamente na história de resistência do povo de Angola.

Institucionalizado o Estado Democrático de Direito nos anos 90 do século passado, os angolanos passaram a realizar eleições multipartidárias para escolha dos seus governantes, as quais têm sido geralmente marcadas por uma adesão massiva dos eleitores às urnas, o que mostra que tem havido no país um grande interesse dos cidadãos pela vida politica e uma vontade de nela participar, fazendo no momento do voto as suas opções.

 A 23 de Agosto de 2017, o povo angolano vai exercer novamente a soberania através do sufrágio universal, livre, igual, directo e secreto, num processo eleitoral em que vão ser eleitos o Presidente da República, o Vice-Presidente da República e os deputados à Assembleia Nacional.

BARCELONA | Moussa Oukabir. O radical de 17 anos ao volante da carrinha em Las Ramblas



Terá sido este jovem, de 17 anos, o autor material do atropelamento massivo em Las Ramblas, Barcelona. Há dois anos, escreveu nas redes sociais que queria "matar todos os infiéis".

Moussa Oukabir, de 17 anos, terá sido o autor material do atropelamento massivo em Las Ramblas, Barcelona. É neste jovem que está concentrada a investigação policial neste momento, com as autoridades a admitirem que o jovem terá roubado documentos ao irmão para alugar a carrinha. O irmão apresentou-se na polícia logo após o atropelamento, numa altura em que as suas fotografias já estavam a circular como suspeito.

Logo após o atropelamento, foi noticiado que alguém saído da carrinha (presumivelmente, o condutor) teria fugido da viatura. Segundo o El Mundo, que cita fontes policiais, Moussa Oukabir terá conduzido a carrinha que provocou a morte de pelo menos 13 pessoas e mais de 100 feridos. Após o crime, com um boné na cabeça, fugiu a correr do centro da cidade.

Moussa estaria armado, a julgar pelos alertas difundidos pelas autoridades após o incidente. Dois homens foram detidos — um marroquino e um de Melilla — mas logo se soube que nenhum deles seria o condutor.

A investigação policial está a ter em conta o testemunho de Driss Oukabir, que na quinta-feira foi detido em Ripoll, na esquadra policial a que se dirigiu, garantindo que na altura do atentado estava ali mesmo, em Ripoll (Girona), e não em Barcelona. De acordo com Driss, o irmão — o mais novo de cinco irmãos — terá roubado o passaporte do irmão mais velho, de 28 anos, para conseguir alugar não só a carrinha de Barcelona mas, também, outra que foi apreendida horas depois na zona de Vic.

Moussa Oukabir — cujo nome completo é Moussa Oukabir Soprano — vive em Barcelona, ao passo que Driss mora mais a norte, em Ripoll. A identificação de Driss foi encontrada no local do crime, em Barcelona, pelo que inicialmente a investigação se concentrou no irmão mais velho — um homem que, segundo o The Telegraph, esteve detido em 2012 por suspeita de abuso sexual.

Quem é Moussa, o irmão mais novo?

Quanto ao irmão mais novo, Moussa, que continua sem paradeiro conhecido, começam a surgir algumas informações sobre o seu historial. Segundo os jornais espanhóis, Moussa terá feito alguns comentários de teor racial, contra os não-muçulmanos, numa rede social, há dois anos. Na rede social Kiwi, perguntaram-lhe o que faria se se tornasse líder absoluto do mundo: “Matava todos os infiéis e deixaria apenas os muçulmanos continuarem com a religião”, terá escrito. Um país onde nunca viveria? “No Vaticano”.

Moussa terá viajado recentemente até Marrocos e, segundo o La Vanguardia, regressou a Espanha no último dia 13, poucos dias antes do crime. Não há informações consensuais sobre a data de nascimento do jovem — o La Vanguardia diz que Moussa terá já cumprido o 18º aniversário, mas a informação não foi confirmada. O ministro da Administração Interna do governo catalão não quis confirmar a identidade do suspeito.

Segundo o El País, as autoridades acreditam que o jovem pertencia a uma célula terrorista composta por 12 pessoas. Cinco destas foram mortas no outro ataque em Cambrils, três estão detidas — faltam, portanto, quatro (incluindo Moussa), que estão a monte.

Uma jovem que será amiga de Moussa Oukabir, que falou com o jornal catalão mas que preferiu permanecer anónima, diz-se “surpreendida com tudo isto” porque o jovem era um “rapaz normal e muito simpático”. Moussa é descrito pela mesma jovem como um rapaz “um pouco calado e que nunca procurava problemas” — “tinha um grupo de amigos, todos marroquinos, mas falava catalão perfeitamente. Acho que veio para cá com três anos de idade”.

Edgar Caetano | Observador

HÁ PORTUGUESES ENTRE AS VÍTIMAS DA LA RAMBLA | Leia em Observador: Portuguesa entre os 14 mortos de Barcelona


MATANZA EN LA RAMBLA




"El Estado Islámico (ISIS, en sus siglas en inglés) golpeó ayer el corazón de Barcelona y dejó al menos 13 muertos y más de 100 heridos en el atentado más grave que sufre España desde el 11-M y el primero yihadista desde entonces. A las 16.50 horas, una furgoneta se lanzó contra los centenares de personas que se encontraban en La Rambla. Los Mossos confirmaron que se trata de un atentado coordinado. El autor material del atropello masivo se dio a la fuga y sigue en paradero desconocido. La policía catalana ha detenido a dos personas. Una de ellas es Driss Oukabir, que presuntamente alquiló el vehículo. La otra, cuya identidad se ignora, fue detenida en Alcanar (Tarragona), donde los Mossos sospechan que, junto a otras personas, estaba preparando un artefacto explosivo." (El País, com foto)

É assim que o jornal El Pais toma por abertura e manchete o que ontem à tarde ocorreu em La Rambla, Barcelona. Sobre o ataque terrorista quase todos os jornais de Espanha e da UE fazem manchete. A caça ao homem toma proporções enormes em Espanha, Moussa Oukabir é o presumível condutor do veículo que causou tanta mortandade e ferimentos a mais de 100 pessoas, incluindo estrangeiros que passeavam àquela hora na zona pedonal de Barcelona, na La Ramba.

O irmão do presumível condutor está detido. Driss Oukabir é um jovem de 17 anos que, segundo declara o irmão, mais velho, roubou-lhe o seu passaporte para alugar a carrinha com que investiu brutalmente contra os peões em La Rambla.

Há minutos ocorreu a homenagem às vítimas na praça principal de Barcelona. Muitos milhares esgotaram o referido espaço e cumpriram um minuto de silêncio, aplaudindo depois efusivamente e com comoção os que foram pasto da violência terrorista.

Pelas cidades europeias acontecem de vez em quando este tipo de ataques terroristas, o ISIS reivindica-os, como agora aconteceu neste ataque em Barcelona.

Resta-nos prestar-lhes homenagem e perguntar: onde acontecerá a seguir nova barbaridade?


PG, com El País | Foto EFE

Última hora:

O QUE PREPARA O PRESIDENTE MACRON



Thierry Meyssan*

A inquietação apodera-se dos Franceses que descobrem —embora um pouco tarde— não conhecer o seu novo Presidente, Emmanuel Macron. Interpretando as suas recentes declarações e os seus actos em relação ao relatório que redigiu em 2008 para a Comissão Attali, Thierry Meyssan antecipa a direcção para a qual ele está «En marche!» («Em marcha»).

Desde o acidente cerebral de Jacques Chirac, a França não mais teve uma presidência efectiva. Durante os dois últimos anos do seu mandato, ele deixou os seus ministros Villepin e Sarkozy digladiarem-se entre si. Depois, os Franceses elegeram duas personalidades que que não chegaram a personificar a função presidencial, Nicolas Sarkozy e François Hollande. Então, eles escolheram guindar Emmanuel Macron ao Eliseu, pensando, assim, que impetuoso jovem era capaz de assumir a governança.

Contrariamente às campanhas eleitorais precedentes, a de 2017 não foi alvo de debates de fundo. Quando muito, pudemos constatar que todos os pequenos candidatos (isto é, aqueles que não eram apoiados pelos grandes partidos) contestaram profundamente a União Europeia, que todos os candidatos principais içavam, esses sim, aos píncaros.

O essencial da campanha foi um folhetim quotidiano denunciando a suposta corrupção da classe política em geral, e do candidato favorito, François Fillon, em particular; uma narrativa típica de «revoluções coloridas». Como em todos estes modelos, sem excepção, a opinião pública reage apoiando o «bota-abaixismo» : tudo o que era velho estava corrompido, tudo o que era novo era certo e bom. Ora nenhum dos crimes de que todos falavam foi provado.

Nas revoluções coloridas precedentes, a opinião pública levava de três meses (a Revolução do Cedro, no Líbano) a dois anos (a Revolução das Rosas, na Geórgia) a acordar e a descobrir ter sido manipulada. Ela voltou a virar-se então para o que restava da primeira equipe. A arte dos organizadores das revoluções coloridas consiste, pois, em realizar sem espera as mudanças que os seus comanditários entendem operar nas instituições.

O AUTO-DE-FÉ DO PONTAL



Nuno Ramos de Almeida | jornal i | opinião

A liderança do PSD está desesperada e pretende agitar as águas com um discurso importado de Trump. A esse falso populismo é preciso contrapor uma política popular que promova a igualdade social e dar o poder à maioria da população

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, parece querer colmatar a sua falta de capacidade de mobilizar os seus militantes e de chegar à população macaqueando uma espécie de discurso racista da supremacia branca. O problema desse discurso é que, para além de abrir uma caixa de Pandora, pode ter consequências dramáticas, baseia-se, como é frequente, em mentiras disfarçadas de meias verdades. O patrono do candidato racista de Loures afirma que a nova lei da imigração vai permitir uma invasão de imigrantes façanhudos de faca nos dentes e impedir a expulsão de sanguinolentos facínoras imigrantes. “O que é que vai acontecer ao país seguro que temos sido se se mantiver esta possibilidade de qualquer um viver em Portugal?”, queixa-se Passos Coelho, que argumenta que a nova lei faz com que o Estado perca a possibilidade de expulsar alguém que tenha cometido crimes graves.

Argumentar que há uma nova lei da imigração que causa todas essas maleitas é saber que se está a mentir. Por todo e por junto, foram dadas novas redações aos artigos 132, 88 e 89 da lei que regulamenta a imigração. Na sua formulação anterior, o artigo 132, excetuando casos de atentado à segurança nacional ou à ordem pública e de um conjunto de situações, não permitia que fossem expulsos estrangeiros que tivessem nascido em território português, tivessem filhos menores a cargo em território português e se encontrassem em Portugal desde idade inferior a dez anos. Devido a vários casos de pessoas que foram expulsas por crimes menos graves, como no caso de roubo, a nova formulação da lei apenas vem precisar que, com exceção de suspeita fundada da prática de crimes de terrorismo, sabotagem ou atentado à segurança nacional ou de condenação pela prática de tais crimes, as pessoas não podem ser expulsas nos casos previstos anteriormente. Defende-se que quem nasceu ou sempre viveu em Portugal e tem filhos cá, depois de pagar as suas contas à justiça, deve ficar no país em que sempre viveu e com a sua família.

TERRORISTAS



Rafael Barbosa | Jornal de Notícias | opinião

1. Os assassinos voltaram a atacar uma cidade europeia, de novo usando um veículo para matar de forma indiscriminada. Foi nas Ramblas de Barcelona, como já antes tinha sido na marginal de Nice, num mercado de Natal de Berlim, no Parlamento e na ponte de Londres (dois ataques), ou numa zona pedonal de Estocolmo. É cedo para tirar conclusões, mas há coincidências óbvias que não podem ser ignoradas. Tudo indica que o ataque de Barcelona corresponda ao perfil dos anteriores: um ato brutal de terroristas islâmicos. Os ataques foram sempre levados a cabo por estes radicais, tal como foram sempre reivindicados pelo Estado Islâmico, cujos líderes são os promotores deste género de terrorismo de baixo custo, fácil de planear e executar, aleatório e, por isso, ainda mais assustador. Como sempre acontece nos primeiros momentos, fica a amarga sensação de que os terroristas estão a ganhar esta guerra, que não tem campo de batalha, nem exércitos, nem regras de combate, nem objetivos. Resta-nos esperar que o tempo, como também sempre tem acontecido, esbata a sensação de desespero e que a vida prossiga. Talvez pareça um pouco pueril, quando o sangue ainda mancha as Ramblas, mas vale a pena citar Anne Hidalgo, presidente da Câmara de Paris: "Barcelona e Paris são cidades de partilha, de amor e de tolerância. Estes valores são mais fortes do que o terrorismo hediondo e cobarde". Se não acreditarmos nisto, vamos acreditar em quê?

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

PORTUGAL DEVASTADO: ROTINA OU TERRORISMO?



O vento sopra em todo o país, mas as chamas, tal como em 1975, poupam as zonas onde prevalecem grandes interesses económicos tendencialmente sem pátria.

José Goulão | AbrilAbril | opinião

O terrorismo tem mil caras. Lançar o terror contra pessoas comuns e quase sempre indefesas, ou atemorizar populações e devastar países usando os cidadãos apavorados como reféns são práticas que preenchem os nossos dias num mundo que, pela mão de dementes usando o poder acumulado por conglomerados do dinheiro, caminha para inimagináveis patamares de destruição.

Portugal tem tido a sorte de ser poupado pelo terrorismo, diz-se e repete-se, por vezes com inflexões de um misticismo bolorento próprio de pátrias «escolhidas» para auferir das mercês do sobrenatural. Uma interpretação com curtos horizontes e vistas estreitas, características cultivadas por uma comunicação social habilmente arrastada para realidades paralelas e que reduz o terrorismo dos nossos dias ao estereótipo do muçulmano fanático imolando-se com explosivos à cintura, ou atropelando a eito, não se esquecendo de deixar o cartão de identidade, intacto, num local de crime reduzido a destroços humanos e amontoados de escombros.

Assim sendo, deixa de ser terrorismo, por exemplo, o que a NATO fez na Líbia, o que Israel pratica em Gaza, os massacres que as milícias nazis integradas no exército nacional da Ucrânia «democratizada» cometeram, por exemplo, na cidade de Odessa.

Olhando em redor, porém, é imperativo que cada um de nós estilhace a dependência em relação a um conceito de terrorismo que corresponde a uma ínfima parte da gravidade do fenómeno global. Só assim alongaremos os horizontes e alargaremos as vistas que permitirão reflectir a sério, e profundamente, sobre a realidade que devasta Portugal e que, com uma irresponsabilidade e uma inevitabilidade próprias de uma cultura tecnocrática e desumana, chegou a ser conhecida como «a época dos incêndios».

Se quisermos reflectir livre e abertamente sobre o maior número possível de aspectos da situação com que nos confrontamos é imprescindível associar o poder destruidor e aterrador dos incêndios deste ano ao quadro político-social que vivemos em Portugal; e também à memória que em muitos ainda estará viva e que outros poderão consultar junto dos mais velhos ou das fontes de uma época que dista 42 anos. Chamaram-lhe o «Verão quente de 1975».

Pois nesse «Verão quente», assim baptizado não por causa do terrorismo incendiário mas de uma instabilidade política inerente às situações revolucionárias e também organizada, em grande parte, por conspiradores externos, internos e todos os outros manobradores integráveis no diversificado círculo dos contrarrevolucionários, multiplicaram-se as práticas terroristas.

Racismo e xenofobia | A MÃO QUE AFAGA O MONSTRO





Miguel Guedes | Jornal de Notícias | opinião

São duas as opções perante a catástrofe iminente. Podemos assistir serenos e impávidos ao desmoronar dos mais elementares alicerces da liberdade ou, então, desatamos a arregimentar o sofá ao eterno descanso, fazendo a nossa parte, partindo para o combate. São duas atitudes passíveis de entendimento: uma, a maioria silenciosa, abre a boca de espanto e exclama; a outra, minoria ruidosa, solta as palavras da boca e passa à demanda. Normalmente, é esta última que faz revoluções, alarga o passo da história e apressa o tempo que no relógio tarda a passar.

A eleição de Donald Trump convocou um Mundo em maioria silenciosa. O espanto globalizou-se e a onda de choque fez o seu caminho até ao momento em que o impacto se desvaneceu perante os dislates com que diariamente nos brindava em folha seca de Twitter. No fundo, voltou a ganhar a corrida dos primeiros nove meses de presidência com os mesmos métodos que utilizou para vencer a corrida presidencial até às eleições: conseguiu convencer-nos, novamente, a olhar para o acessório e não para o essencial do que representa, é e executa. Enquanto nos silenciámos maioritariamente para assistir à sua pantomina e estupidez, Trump foi moldando o Mundo à sua ideologia. E não admira que seja ele o pai adoptivo que todos os fascistas gostariam de adoptar. Racistas, neonazis, "alt-right", Ku Klux Klan. E assenta-lhe bem, como a obra assenta ao pai criador.

A forma desculpabilizadora como reagiu à violência terrorista de Charlottesville diz tudo sobre o perigo real que representa. Após marchas de ódio iluminadas a tochas, saudações, cânticos nacionalistas, bandeiras e fumos neonazis, depois da morte de uma pessoa que não se silenciava perante a atrocidade, após um dia que envergonhou e ensombrou a América e o Mundo, Trump condenou a violência "em vários lados". Em vários lados. Escolheu afagar o monstro, passou a mão pelo pêlo daqueles que ponderam a vida dos outros em função da cor, religião ou costumes. Precisamente porque parte de dentro dela para a implodir, Trump é o inimigo público n.º 1 da democracia no Mundo. E merece ter a sua cabeça a prémio, afixada em cartaz desde a sala oval até ao mais saloio saloon. Trump tem razão: nem todos os homens são iguais, ele é diferente.

Há um espelho no Pontal português e, infelizmente, é fiel. A radicalização extremista do PSD não pára de crescer e nem os acontecimentos em Charlottesville impediram Passos de vomitar demagogia sobre a política de imigração em Portugal. Depois de apoiar a xenofobia e racismo do candidato à Câmara de Loures, Passos Coelho escolheu estender o seu PSD num caixão indistinto, "qualquer um". Espera-se a "qualquer momento" que o líder do PNR também o caracterize como "um dos meus".

O autor escreve segundo a antiga ortografia

*Músico e jurista

BARBÁRIE EM NOME DA DEMOCRACIA



Martinho Júnior | Luanda

A “civilização judaico-cristã ocidental”, nos termos das premissas do capitalismo neoliberal, está esgotada e a “democracia representativa” que faz uso como bandeira de paradigma, não passa duma flâmula de conveniência, pompa e circunstância, a fim de encobrir a barbárie que é “congénita” da acumulação sem limites e sem moral do capital das famílias seculares de bancários que com estatuto de clãs dominam “behind the scenes” a partir das duas margens norte do Atlântico.

1- A aristocracia financeira mundial, emanação das casas bancárias de família formadas desde os alvores da Revolução Industrial e na trilha última que tem percorrido desde o que foi convencionado como “Guerra Fria”, apossou-se do miolo das decisões de domínio global em regime exclusivista, decisões que conduzem os processos de hegemonia unipolar, de tal modo que hoje, para garantir a perseverança desse domínio eivado da voracidade na procura de cada vez mais lucros e com mentalidade de saque, está intimamente implicada na metamorfose da ilusão que constitui a “civilização judaico-cristã ocidental”, na real barbárie feudal que esgota a humanidade e o planeta em pleno século XXI.

Afirmá-lo não é “teoria de conspiração”, pois esse domínio avassalador conforme à hegemonia unipolar, vai deixando pistas cada vez mais evidentes de como está a ser exercido à escala global, continental, regional e local, seja por via sócio-política (arregimentando as oligarquias nacionais), seja por via económica e financeira, seja por via da utilização de seus serviços de inteligência, como da panóplia de meios militares (oficiais e privados) e até na arregimentação dos meios de comunicação de massas sob sua tutela, ou sob sua esteira.

RACISMO A COBERTO DE TRUMP | EUA: o fim de semana em que a direita mostrou as garras



Reportagem em Charloteville: como os supremacistas brancos tomaram a cidade e acrescentram mais um dado tétrico a um cenário global tenso e difícil. Felizmente, houve resistência

Ricardo Senra, na BBC | em Outras Palavras

Quando propus minha ida neste fim de semana a Charlottesville, uma cidade universitária de 50 mil habitantes ao sul de Washington, nos Estados Unidos, minha ideia era conhecer os diferentes matizes da nova direita americana após a eleição de Donald Trump.

O protesto “Unite the Right”, ou “Unir a Direita”, até então não tinha muito espaço na imprensa. Alguns blogs chamavam atenção para o ato, alguns com elogios à celebração do orgulho e nacionalismo americano, outros com críticas à ideia de segregação que estes valores podem carregar.

Meu vagão no trem era heterogêneo. Famílias voltavam para a cidade com bebês para o almoço de domingo com os avós, estudantes vinham reencontrar pais e namorados, um ou outro jornalista fingia que estava ali por coincidência e achava que estava sendo discreto mexendo freneticamente em seu computador, tablet e celular (eu era um deles).

Quatro homens chamavam atenção na fileira ao lado. Carecas, fortes, cheios de tatuagens, vestindo calça bege e camisa branca, eles conversavam sobre algo sério – e me olhavam muito feio quando eu tentava ler seus lábios, que sussurravam e me deixavam pescar apenas palavras soltas. Uma delas foi “hate” – ou ódio.

Pois foi exatamente ódio o que eu encontrei nas horas seguintes.

Enquanto desfazia a mala, li no Twitter boatos de um possível ato-surpresa dos manifestantes, que haviam feito um acordo com a prefeitura para desfilar pela cidade só no dia seguinte.

Era sexta-feira à noite e eu corri para a Universidade de Virginia, ao norte do centro da cidadezinha de casarões preservados e praças com monumentos antigos. O campus estava escuro, vultos andavam de um lado para o outro em busca de algum sinal.

Um grupo de aproximadamente 20 homens subiu em passo acelerado em direção ao jardim interno. A 50 metros de distância, um grupo menor os seguia. Corri até eles pela penumbra.

O segundo bloco era formado por estudantes que escreviam para um site local. Anne, uma jovem de 20 anos, no máximo, me explicou: “São eles. Estão tentando nos despistar e andando em círculos”.

Em 15 minutos eu entenderia o que ela quis dizer com “eles”. Depois de circular todos os cantos do campus, um dos homens gritou: “Vamos!”

Eles começaram a correr. Sabiam que nós os seguíamos e não diziam nada. Corremos por quase 10 minutos até chegar ao alto de um vale.

“Eles” estavam lá embaixo. Centenas de homens e mulheres, incluindo algumas crianças, se organizavam em filas, rindo alto e brincando entre si enquanto acendiam tochas. Estava muito escuro e a luz das tochas de madeira tingia de vermelho o gramado, onde estudantes normalmente jogam beisebal e futebol americano.

Um homem com tom agressivo começa a falar no megafone. “Alinhem-se agora! Duas filas! Todos! Agora!”

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Washington tenta fechar a caixa de Pandora do racismo que Trump abriu



Republicanos e democratas recusam comparar supremacistas brancos a contra-manifestantes. Conselho industrial da Casa Branca é desmantelado após vaga de demissões.

João Ruela Ribeiro | Público

O ciclo parece repetir-se ao sabor de cada controvérsia que envolve Donald Trump desde que chegou à Casa Branca. Rebenta um acontecimento, o Presidente faz comentários (chocantes para uns, politicamente incorrectos para outros), republicanos e democratas unem-se na condenação a Trump e, pelo meio, há gente a bater com a porta na Casa Branca. No fim do dia, a poeira assenta, as redes sociais encontram uma nova indignação, e o magnata nova-iorquino mantém-se e prepara o próximo tweet incendiário.

Nos últimos dias o ciclo repetiu-se, com a violência protagonizada por elementos ligados a movimentos de extrema-direita, neo-nazis e supremacistas brancos em Charlottesville (Virgínia), que acabou por matar uma mulher de 32 anos. Os principais protagonistas da política americana invadiram em peso as televisões, as páginas dos jornais, as ondas da rádio, os sites noticiosos e as redes sociais em geral, para transmitir uma mensagem que poucos pensavam ser necessário repetir em 2017: não se pode comparar o comportamento de racistas e neo-nazis com as acções de quem os combate.

“A América deve rejeitar sempre a intolerância racial, o anti-semitismo, e o ódio em todas as suas formas”, afirmaram os dois últimos Presidentes republicanos, George Bush e George W. Bush. Antes, o filho e irmão dos dois antigos Presidentes, Jeb Bush, foi um dos que criticou abertamente a “ambivalência” de Trump. “Peço ao Presidente Trump que una o país, e não que divida a culpa pelos acontecimentos em Charlottesville”, disse o ex-candidato presidencial.

O senador republicano John McCain, habitual crítico de Trump, disse que “não deve haver equivalência moral entre racistas e americanos que se levantam para combater o ódio e a intolerância. O Presidente dos Estados Unidos deve dizê-lo.” As críticas ao discurso de Donald Trump estenderam-se até à cúpula do partido que apoiou a sua candidatura. O speakerdo Congresso, Paul Ryan, afirmou que “não pode haver ambiguidade moral” e o líder da maioria republicana, Steve Scalise, apelou ao combate contra “a supremacia branca e todas as formas de ódio”.

ASSIM, OS EUA “TRANQUILIZAM” A EUROPA



No ano fiscal de 2018 (que começa em 1 de Outubro 2017), a Administração Trump vai aumentar mais 40% do orçamento para a "Iniciativa de Tranquilização da Europa" (ERI), lançada pela Administração Obama depois da "invasão russa ilegal da Ucrânia em 2014": anuncia o General Curtis Scaparrotti, Chefe do Comando Europeu dos Estados Unidos, e assim por direito, Comandante Supremo Aliado na Europa

Manlio Dinucci

Tendo partido da quantia de 985 milhões de dólares, em 2015, o financiamento do ERI subiu para 3,4 biliões em 2017 e (de acordo com o pedido de orçamento) para 4,8 biliões em 2018. Em quatro anos, 10 biliões de dólares gastos pelos Estados Unidos, a fim de "aumentar a nossa capacidade para defender a Europa da agressão russa." Quase metade dos gastos em 2018 - 2,2 biliões de dólares - servem para reforçar o "pré-posicionamento estratégico" americano na Europa, ou seja, os depósitos de armamento, colocados em posições avançadas, que permitem "uma rápida distribuição de forças no teatro de guerra". Outra grande quota - 1,7 biliões de dólares - é destinada a "aumentar a presença numa base rotativa das Forças americanas em toda a Europa." As quotas restantes, cada uma na ordem de centenas de milhões de dólares, servem para o desenvolvimento da infraestrutura das bases na Europa, para "aumentar a prontidão da acção dos EUA", a intensificação dos exercícios militares e o treino para "melhorar a prontidão e a interoperabilidade das forças da NATO ".

Os fundos da ERI - especifica o Comando Europeu dos Estados Unidos - são apenas uma parte dos que estão destinatados à "Operação Atlantic Resolve", que mostra a capacidade dos EUA de responder às ameaças contra os aliados. No âmbito dessa operação foi transferida para a Polónia, a partir de Fort Carson (no Colorado), em Janeiro passado, a 3ª Brigada blindada, composta por 3500 homens, 87 tanques, 18 obuses, 144 veículos de combate Bradley, mais de 400 Humvees e 2000 veículos de transporte. A 3ª Brigada blindada será substituída ainda este ano por outra unidade, de modo que as forças blindadas americanas estejam localizadas, permanentemente, em território polaco. A partir daqui, eles são transferidos para os departamentos de formação e exercícios de outros países da Europa de Leste, especialmente para a Estónia, Letónia, Lituânia, Bulgária, Roménia e, eventualmente, Ucrânia, ou seja, estão continuamente distribuídos perto da Rússia.

Também no quadro de tal operação, em Fevereiro passado, foi transferida para a base de Illesheim (Alemanha), do Fort Drum (em Nova York), a 10ª Brigada de Aérea de Combate, com mais de 2000 homens e centenas de helicópteros de guerra. De Illesheim, a task force foi enviada para "posições avançadas" na Polónia, Roménia e Letónia. Nas bases de Ämari (Estónia) e Graf Ignatievo (Bulgária), estão localizados bombardeiros dos Estados Unidos e da NATO, incluindo os Eurofighter italianos, para o "patrulhamento aéreo" do Báltico. A operação também fornece "uma presença persistente no Mar Negro", com a base aérea em Kogalniceanu (Roménia) e a base de treino de Novo Selo (Bulgária).

O plano é claro. Depois de ter provocado um novo confronto com a Rússia com o putsch/golpe da Praça Maidan, Washington (apesar da mudança de Administração) segue a mesma estratégia: transformar a Europa na vanguarda de uma nova guerra fria, a favor dos interesses dos Estados Unidos e das suas relações de poder com as grandes potências europeias.

Os 10 biliões de dólares investidos pelos EUA para "tranquilizar"a Europa, na verdade, servem para tornar a Europa ainda mais insegura.

Manlio Dinucci

Tradução: Maria Luísa de Vasconcellos | Fonte: Il Manifesto (Itália) | Fonte : "Assim, os EUA "tranquilizam" a Europa", Manlio Dinucci, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Il Manifesto (Itália) , Rede Voltaire, 15 de Agosto de 2017, www.voltairenet.org/article197479.html

- em Pravda.ru